19/12/14

NOVO ENDEREÇO DO BLOG

Olá, pessoas e seres humanos. Eu mudei de casa - acho que já estava na hora de uma regeneração. Visitem o novo espaço. 

Bem, aqui está o novo blog: http://www.jimanotsu.tk/


23/06/14

Mimimi, boa literatura nacional, best-sellers idiotas.

Cara, esse povo que fica: mimimi, literatura comercial, os best-sellers dominando o mercado, nossa, olha só como a boa literatura é sufocada etc, etc. Cara, sempre existiu e sempre vai existir literatura comercial, best-sellers e coisa do tipo. Charles Dickens - que eu, pessoalmente, considero um dos melhores criadores de personagens da história, era comercial, criticado por ser "altamente sentimental" por contemporâneos dele. Charles Dickens, dear. Shakespeare também era o noveleiro da época dele, o teatro era mal visto então. Ele, Ben Jonson e Marlowe eram os bad boys. Jane Austen, chick-lit. Robert Louis Stevenson - autor "infantil" de outrora.

Aí, o povo fica: Ah, mas não publicam iniciantes e preferem os enlatados estrangeiros. Uma coisa: Editoras não são casas de caridade, elas precisam de dinheiro pra continuar existindo. A máquina de publicação é MUITO grande e muito cara. E dois: As editoras PRECISAM de best-sellers, é com o dinheiro desses "livros menores" que outros autores são publicados. Logo, aquele autor elaborado, cheio de meta-ficção e jogos de linguagem, só consegue estar numa editora com visibilidade porque um caixa foi feito com dinheiro dos "livros ruins". A maior parte da literatura de "gente grande" demora muito tempo pra esgotar uma edição de 2 ou 3 mil exemplares.

Ah, mas não publicam autor iniciante: Se fosse assim nenhuma autor seria publicado, todo mundo é iniciante um dia. Conheço poucos autores famosos, mas todos eles começaram de algum lugar e se estão onde estão hoje é porque alguma coisa fizeram. E mesmo que não tenham a "qualidade" que seu texto demonstra, todo mundo tá trabalhando e dando duro e tentando fazer o seu. E acredito que todos os autores que conheço sejam apaixonados pelo que fazem. E outra coisa: Nem todo mundo vai vender muito e viver de literaratura que nem a J.K Rowling e está tudo bem nisso. 

Cara, Glenn Cook, que é um escritor melhor do que eu, você e um monte de gente, trabalhou até se aposentar na GM. Wallace Stevens, um dos maiores poetas americanos, trabalhava com seguros e coisas do tipo.

Acho que cada um deveria gastar o seu tempo escrevendo o que gosta, do jeito que gosta e tentando trilhar seu caminho ao invés de chorar pelo chocolate do coleguinha. A hora de cada um chega, de uma forma ou de outra. E as pessoas se esquecem de não é só no Brasil que as coisas são assim, nos USA a literatura é um mercado como qualquer outro, com muita concorrência, trabalho e disputa. Se você acredita que você escreve bem, que escreve melhor do que os autores que vendem horrores, okay, continue escrevendo, procure um caminho que seja autêntico e seu. 

Não gaste tempo falando mal ou reclamando de pessoas que você só conhece via Twitter ou Facebook. Crie o seu próprio trabalho. Coloque ele lá fora, comece por editoras pequenas, divulgue, trabalhe, se você acredita de verdade no que faz, trabalha nisso e não se distrai com o umbigo alheio, road to the goal. Sei lá, isso foi só meu rant existencial.

Literatura nunca é demais. Não é um jogo de isso ou aquilo. Você pode ler "Crime e Castigo" e Meg Cabot numa boa e isso não ser contraditório. Livros são livros, são pequenos milagres de papel e um a mais nunca é demais. Leia o que te agrada, ignore o que não te apetece, escreva o que te agrada e feche o ouvido para o que não é pra você.

Uma coisa que noto: As pessoas que leem livros "bobos" tem um grau de preconceito bem menor com literatura e transitam de John Green pra Thomas Pynchon com muita facilidade. A pergunta que deveria ser feita é: Será que eu estou lendo/escrevendo/fazendo o suficiente antes de gritar lobo?


27/05/14

From First To Last regrava Note To Self

Para quem não sabe... eu sou um grande fã do From First to Last, banda do Sonny Moore antes de ele se tornar Skrillex, o queridinho da música eletrônica. O disco ""Dear Diary, My Teen Angst Has A Body Count" (2004) foi um dos meus favoritos nos anos adolescentes e no auge da minha fase screamo/emocore - que ainda não passou e nem vai passar, valeu! 

Eu copiava a letra de Emily no caderno e sei metade das letras de cor. Pois que bem... para celebrar 10 anos do "(...)Body Count" a banda resolveu regravar Note To Self com o vocalista atual e eu não sei o que pensar. Os arranjos ficaram melhores, instrumentos mais modernos e um pouco da sujeira sumiu, mas não é o Sonny Moore cantando e isso me deixa meio... sei lá, coisa de fã viúvo que sempre pensa  that's not "From First to Last"! Vou deixar aqui o vídeo da música regravada, que é essa:


Essa daqui é a versão original com o Sonny Moore (Skrillex, na época em que ele ainda não havia destruído sua garganta). Dá pra perceber como ele grita bem mais rasgado e acho que esse era o apelo do FFTL. Bem, para quem não conhecia a banda, ela continua legal com o Spencer Sotelo nos vocais. Ah, e eles acabaram de gravar um EP via Kickstarter. Aqui está a antiga Note to Self:







Até a próxima!



26/05/14

Bandas legais do cenário nacional

Olá, pessoas do Pop Division...

Fiquei meio afastado, cuidando do livro novo, mas estou de volta e falando do meu segundo assunto favorito: Música!

Nós últimos tempos eu tenho ouvido um monte de bandas nacionais e cada uma está mais legal que a outra. A gente de vez em quando curte um "Anberlin" ou "Pierce The Veil" sem saber que temos bandas nacionais tão boas quanto e que ainda não chegaram no mainstream, aí depois tem aquela reclamação: Rock nacional não presta e tal. 

Mas... a gente tá fazendo o nosso trabalho de procurar e ajudar as bandas daqui

Ir em shows, comprar os CDs - que são baratos! Tipo, o novo da December tá 5 Reais! - Então, separei as que eu mais estou ouvindo ultimamente e algumas até são citadas no meu livro novo - Bienal do livro de SP, galera, Editora Gutenberg, é noóiz! Lá vai uma lista que não está por ordem de preferência, porque eu curto muito o trabalho desse pessoal todo.

1 - December - W.W: A primeira é a December com a música W.W - inspirada em Breaking Bad. O som deles é muito bom e a mistura de partes mais melódicas e o vocal gutural cria uma mistura muito boa. Quem curtir pode ouvir também "Oceana II" - que é foda! Ouvi boatos de que eles tocariam em BH durante a turnê de XII, logo, quem estiver por perto...


2 - Lost in Hate - Cultura da Autodestruição: Uma banda muito legal e straight edge, para os meus leitores que não conhecem, é um jeito "saudável" de curtir rock que começou lá com Minor Threat, Youth of Today e outras do tipo. Eles tocam pesado e o refrão é muito bom.


3 - Cefa - Saída de Emergência: Banda de Curitiba e que assim como a December mistura partes melódicas e guturais. O vocalista é muito bom by the way! A página do Facebook da banda promete mais novidades em breve, logo, a gente espera. Junto com a December é uma das que mais tenho ouvido.



4 - Aurora Rules - Eu Vou Vencer: A quarta banda do Top 5 é a "Aurora Rules"! Eu gostei muito dessa banda e foi a mais recente que ouvi. Gostei principalmente das guitarras e - viagem minha - me lembrou bandas como "Shadows Fall" e "Killswitch Engage", mas isso foi só em um segundo de guitarra. Compensa ficar de olho e na página da banda está disponível o disco "Ideal de Nós" para download.


5 - Savant Inc. - Quando o Sol Nascer: Banda de Guarulhos e com uma proposta super interessante e uma das provas de que o cenário está repleto de boas bandas. A página deles do Facebook tem o download pro disco "Híbrido". Passa lá.




É isso aí, pessoal. Até mais e obrigado pelos peixes.
Sou péssimo em dar finais.






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Jim Anotsu é um escritor esquisito. Autor de "Annabel & Sarah", "A Morte é Legal" e um terceiro romance pronto para sair na Bienal do Livro de SP em Agosto. Ele acredita ser uma baleia e se orgulha da enorme coleção de livros e CDs que possui. Gosta mais de chocolate do que de pessoas.

23/05/14

De acordo com a cerveja eu não sou homem

Eu descobri que não sou homem. Bem, pelo menos não de acordo com a Heineken.

Empresas de cerveja acham que todo cara gosta de futebol e manolas de sapatos? Odeio álcool, futebol, companhia de outras pessoas, ficar longe da the bride pra andar com "os parceiros" de pelada (como se eu fosse jogar). Existe um bocado de gente que não se identifica com o papel que tem que desempenhar no grand esqueme das coisas.

Tenho nojo de churrasco, porque...bem (é um cadáver na minha boca). Barbas não fazem o menor sentido pra mim, odeio a minha noiva na cozinha porque eu clamei o espaço como meu, sou paranoico com roupas. Sou altamente sentimental e obcecado com detalhes de casamento. Escrevo o que já classificaram mais de uma vez como "livros de fantasia para meninas emos". Ah, eu também sou claramente emo assumido e chorei no show do Fresno, mas não pense que dois minutos depois eu não estou ouvindo Children of Bodom. 

Mas, não se esqueçam: A empresa de cerveja está certa!
Of course que eu não sou homem.

Me depilo, tenho mais cosméticos que "the bride", tenho surtos de limpeza as 11 da noite, faço drama e fico ouvindo Pinkerton em repeat quando estou no fundo do poço com a Samara Morgan. Sou pastafarianista, não me interesso por muito mais do que livros, músicas, seriados, filmes, pinturas e arte em geral. Meu círculo de amigos é minusculo e não mudou muito nos últimos anos.

Eu faço comentários sobre a beleza do Benedict Cumberbatch e Gerard Way com uma frequência maior do que a considerada normal pra um cara - outro sinal de que a Heineken está certa. Eu entro em tumblr pra ver as roupas que o Kanye West usa e dois meses antes da bienal eu já sei qual peça de roupa vai com o que, qual cor de tênis e até meus brincos. 

Eu sou uma ofensa para todos os meus companheiros de gênero e peço desculpas por isso, afinal, padrões existem para serem seguidos. Tragam o chicote, purgação is the only way!

Eu passei a minha vida inteira ouvindo: Vira homem. Larga de ser bichinha. Firme o semblante. Dude, eu cheguei a ouvir gente da minha família dizendo pra eu largar filmes e livros de lado e tentar ingressar em curso de metalurgia. Já ouvi gente me chamando de "frouxo" porque eu me recuso a mexer com eletricidade. Pra você ver, nem precisa ir muito longe pra ver the Heineken way of thinking em ação. Acho que foi só depois de me tornar um autor e isso se tornar  realmente influente na minha vida é que pude deixar muito disso de lado e usar meus tênis coloridos, calças vermelhas e dizer que curto Pierce The Veil ou Isles and Glaciers sem ligar. Até um tempo atrás eu acreditava que eu tinha que ser estilo provedor, gather-hunter e parar de gesticular enquanto falo com a minha voz de criança subdesenvolvida. 

Fuck you all! That's it! Fuck you, fuck your ideas and fuck your bloody manhood.

Já fui incomodado demais por causa de coisas tipo esses comercias e que fizeram a minha vida um inferno durante anos. 

Eu odiava escola porque eu não tinha um pingo do estilo macho life de todo mundo e esses comerciais só servem pra incomodar mais um monte de gente que nunca vai virar escritor-músico-poeta-louco pra não ligar pra isso e xingar no FB. Vai ter gente que nunca vai se rebelar contra isso e vai se sentir uma porcaria por causa de coisas assim.

Eu comecei a escrever pensando em falar sobre como a propaganda era com as meninas e tal, mas aí no meio do stream of counciousness o negócio ficou pessoal e misturou com o angst, porque eu vejo que sempre fui uma vítima desses comerciais, das propagandas, de ideias de masculinidade até mesmo em família, de expectativas que eu ficava angustiado por não alcançar. Fuck this shit, I'm gone.

so long and thanks for all the fish.


07/03/14

Garotas do Rock

O Dia da Mulher está chegando e vai vir um monte de posts e homenagens em uma variedade de sites e com mais propriedade do que eu. Logo, resolvi trazer a coisa para um lado pessoal e fazer uma lista com as mulheres do rock que me inspiraram, motivaram e fizeram minha cabeça durante anos. Como disse, minha lista pessoal, logo, omissões são esperadas.

Brody Dale – Vocalista do “The Distillers”. Ela, inclusive, foi minha inspiração número um para a forma como eu imaginava a Annabel de “Annabel & Sarah”



Courtney Love – Amada ou odiada, não importa. O que importa é que ela fez Live Through This e Celebrity Skin, inspirando um milhão de outras bandas. Não podemos esquecer a força das letras e sua voz. PS: Eu sou um dos poucos fãs de Nobody’s Daughter.



Jessicka Fodera – Líder do Jack Off Jill, uma banda que durou pouco, mas que tem um disco maravilhoso, Clear Hearts, Grey Flowers.



Tarja Turunem – Primeira vocalista do Nightwish e a causa de muitas garotas começarem aulas de canto. Ela trouxe sua voz particular e gerou milhares de cópias mundo afora. Saiu da banda e conseguiu se manter numa carreira solo estável e forte. Seu último disco, Colours in The Dark, é um doce.



Amanda Palmer – Embora eu não curta muito o trabalho atual dela, sua discografia com o The Dresden Dolls e seu disco solo Who Killed Amanda Palmer estão entre os meus favoritos. Então, entra nessa lista por causa do meu garoto interior dos quatorze aos dezenove anos de idade.



Anette Olzon - Joinha Plus pra Anette que entrou no Nightwish depois da Tarja e lidou com a barra mais pesada do mundo e ainda conseguiu mandar bem em Dark Passion Play e Imaginaerum. Ela conseguiu sair de uma vida comum, mãe de duas crianças, numa banda sem destaque, e substituir de forma competente a vocalista que todo mundo achava insubstituível. Teve seus altos e baixos no Nightwish, mas levou a banda muito além do que antes em alcance. Está pra lançar seu disco solo, Shine.



Angela Gossom – vocalista do Arch Enemy, quando você poderia imaginar que uma garota que saiu de uma banda menor conseguiria subir ao topo do Death Metal e varrer o chão com todos os vocalistas do gênero.



Floor Jansen – A terceira vocalista do Nightwish e que precisou aprender o set list em menos de 48 horas. Contudo, mais importante do que ser a nova frontwoman do NW, ela já era absurdamente famosa pelo seu trabalho no After Forever e na sua banda solo, ReVamp. Ela tem um alcance vocal que vai do lírico ao gutural e algo no meio.



Vou terminar a lista aqui, mas poderia seguir infinitamente. Menções honrosas: Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Simone Simons (Epica), Sharon del Adel (Within Temptation), Alissa White-Gluz (The Agonist), Chibi (Birthday Massacre), Vibeck (Tristania), Eliza (Amaranthe), Amy Lee (Evanescence).

21/02/14

Representatividade na Cultura Pop


O caso do Michael B. Jordan como tocha humana – que só explodiu ontem, mas que já era 99% certo para quem acompanha cultura pop – revela uma coisa muito interessante acerca de quem consome a cultura pop, quem produz/produziu e quem a recebe indiretamente.
Ontem eu fiquei chocado com o mundo nerd e até fiz um post respondendo a isso aqui no blog. O que eu notei foi um monte de gente, brancos e descolados, comentando sobre o quanto o novo Tocha Humana era errado e etc. Aí, a desculpa era: Mas como ele e a Susan Storm vão ser irmãos, uma é branca e o cara não. Uma retórica intelectualmente desonesta, porque existe adoção, pais diferentes, família inter-racial e coisas do tipo. A outra coisa era: Mas não era assim nos quadrinhos, MEU DEUS, STAN LEE VAI MORRER, MATARAM MINHA INFÂNCIA.

Reação ao ler os nerds de interwebzzz
Bem, é claro que não era assim no quadrinho. Vamos pensar em partes: A maior parte do núcleo DC/Marvel foi criado há décadas e décadas atrás, num país onde até nos anos de 19 e fucking 60 existia segregação racial por meio das tais leis Jim Crow. Logo, era de se esperar mesmo que não tivéssemos muitos heróis com etnias diferentes no mercado americano. Assim como os personagens daquela época se assemelhavam em parte ao que existia na cultura ao redor de quem os produzia, como o Nick Fury original se parecer com o Frank Sinatra e tudo mais. Mas, repito, os tempos mudaram e hoje o mundo não só deve, como está aberto a aceitar pessoas novas na brincadeira – o mundo está aberto, não tanto quanto deveria, mas está. O presidente dos EUA é um cara de cor e a pessoa mais influente do showbizz é o Jay-Z, vários países têm mulheres como presidentes e a internet está conectando o mundo.

Só nos privilégios, manolo.

Pense só, enquanto você crescia e assistia TV Globinho, Cartoon Network e coisas do tipo, vamos pensar em como eram os nossos heróis – vou citar os heróis dos desenhos que eu assistia: Ben 10, Batman, Superman, Anakin Skywalker (Clone Wars) e Homem-Aranha. Todos são caras brancos de beleza padrão. Mas imagine a mesma coisa durante a vida inteira em TODOS os filmes, desenhos, seriados e jogos.

Imagine uma criança oriental que cresce nos EUA e nunca se vê representado na TV. Imagine uma garota que passa a vida inteira sem ver uma heroína que não seja constituída de peitos e bundas para a alegria de nerds onanistas. Imagine um negro que cresce vendo a vida inteira os seus como capangas ou alivio cômico. Imagine um(a) jovem gay que só vê outros parecidos com ela sendo representados de forma cômica ou de forma estereotipada. Pense só nessa pessoa que nunca vai poder se identificar com NENHUM dos heróis que passam na TV e aí você reclama de UM ator num filme? Acredite, o ator não está no filme por cota de piedade, uma pessoa precisa demonstrar talento para chegar até ali.

Mas,mas...a origem, stan lee...aah
A mesma coisa aconteceu quando a Lucy Liu foi escolhida como Watson em Elementary, uma chuva de chorume caiu na internet, antes de a moça falar qualquer coisa no seriado. MAS NÃO PODE TER MULHER WATSON! Cara, existem duzentas mil versões de Sherlock Holmes, por que nessa o Watson não pode ser a Watson, uma personagem que tem desenvolvimento e que cresce independente da sua relação com o protagonista masculino?

E aí temos o outro lado da mesa. Vocês reclamam que as mudanças traem o espírito da obra e tal, mas e nas mil vezes em que trocaram um personagem que era originalmente de cor por um outro branco. Vamos ao exemplo de The Last Airbender, que era amado justamente por ser diverso e aí o filme é todo feito com pessoas brancas. Cara, povos baseados em Inuits e orientais viram: Jasper de Crepúsculo, Menina Branca Randômica Número Um e Menino Branco Faixa Verde em Karate Número Dois. 

Esse post custou 5 centavos
E em Hunger Games? A Katniss originalmente não era branca, mas NINGUÉM reclamou disso, não é? (Embora eu ame a J-Law). Ah, mas reclamaram que escolheram um ator negro pra ser o Beetee no segundo filme. E pior: reclamaram de a Rue ser negra no filme – apesar de ela ser negra no livro. E isso se aplica a um monte de coisas. Por que será que ninguém reclama?

Por fim tem o argumento de: Ah, mas por que não criam um personagem novo, um quadrinho novo pra fazer filme? Bem, simples: PORQUE O POVO NÃO LÊ! Cara, o autor de Super Choque morreu há pouco tempo e ninguém ligou pro mano que criou um dos super-heróis negros mais legais de todos os tempos. Alguém aí se lembra de um herói negro recente que tenha subido ao mainstream – e eu não falo do Spawn porque o cara tem o rosto todo queimado e é um monstro. Raramente surge um aqui e ali, mais difícil ainda é ter um que vire filme e chegue ao grande público.

Lembra quando sugeriram o Troy de Communitty para ser Spider-Man e todo mundo ficou emo e dando piti – até o ponto que isso deu ideia pra criar o Miles Morales, que hoje é um dos heróis mais famosos da Marvel? 

O pessoal precisa parar de olhar só pro próprio umbigo e ver que existe um mundo de gente lá fora que também quer ser inspirada por heróis, que também quer olhar pra cima e ver que pode ser alguma coisa. Homens brancos tiveram as oportunidades, as chances e os meios desde sempre e agora estão reclamando que... de repente, está acontecendo uma invasão. 

Então, sim, que venha a invasão. Quero um Tocha Humana negro, Watson mulher, Lanterna Verde gay, Homem Aranha latino e mais gente chata de boca fechada que é pra não entrar mosca.